Bazaruto, Jóia de Moçambique

Para quê inventar nomes e cognomes, palavras e adjectivos se, quando Deus fez o mundo, aqui parece ter derramado grande parte da beleza com que imaginou a Terra.

Imagens do Bazaruto

Pestana Lodge

A pouco mais de duas horas de vôo para norte de Maputo - capital de Moçambique - fica uma dos mais bonitos arquipélagos deste país: Bazaruto, formado pelas ilhas de (por ordem decrescente de tamanho) Bazaruto, Benguerra (ilha de Santo António), Magaruque e Santa Carolina (ilha do Paraíso), para além de alguns pequenos rochedos desertos.

A paisagem é única: de cima, os recifes de corais parecem querer proteger os imensos areais brancos das vontades do mar - se é que ali o mar alguma vez se levanta contra a beleza deste arquipélago. Milhares de tons de azul de uma transparência quase absoluta inundam o nosso olhar - são azuis celestiais, paradisíacos - talvez por isso, D. Duarte Pio, o pretendente à Coroa de Portugal, ali passou a sua lua-de-mel.

Declarado Parque Nacional em 1971, o arquipélago alberga 180 diferentes espécies de aves, borboletas, antílopes Suni e crocodilos de água doce. Os recifes e os imensos areais brancos protegem golfinhos, dugongos, pesca grossa, lagostas gigantes - que os nativos todos os dias apanham para o jantar - e várias espécies de tartarugas marinhas.

Os projectos de conservação em Bazaruto são orientados pelo World Wildlife Fund, South African Nature Foundation e pelo Endangered Wildlife Trust. Se puder, não perca uma visita nocturna à ilha de Bazaruto ou um mergulho nos corais, actividades no entanto apenas permitidas a quem esteja alojado no "lodge".

Em Bazaruto e Magaruque existem "lodges" plenamente integrados na beleza natural das ilhas. Em Bazaruto, por exemplo, numa das margens, rente ao mar, os bungalows que formam o "lodge" confundem-se entre as palmeiras e as dunas. Mais à frente, na extremidade norte da ilha, um farol parece seguir as curvas da ilha e dos recifes que dividem os azuis do mar.

Bazaruto é também um paraíso para pescadores do alto. Para lá da Ponta do Tubarão, o cabo mais a norte da ilha de Bazaruto, passados os belíssimos recifes de corais onde não se pode dispensar um mergulho ou uma bela meia-hora de "snorkeling", o mar cresce um pouco e os golfinhos saltitam em volta dos barcos, convidando a magníficas e sempre emocionantes pescarias. "É impossível não se apanhar peixe algum naquelas paragens", dizem os mestres de Bazaruto.

À noite, de quando em vez, uma estrela cadente sulta rápida o céu azul negro.

Suaves, ritmadas, murmurando, as ondas afagam os areais. O céu é brilhante, limpíssimo. O que será preciso dixer mais sobre Bazaruto, a pérola do Índico…

texto de José Eduardo Barreiros, in "RAÍZES Laços e Língua", um suplemento do Diário de Notícias de 23/12/97.